É um sintoma, tal como o sonho: um conflito entre a intenção consciente do indivíduo e o seu inconsciente recalcado, substituindo-se a manifestação por outra que não controlamos. Dizem os técnicos. Nós, leigos, divertimo-nos a topá-los.
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Abr 10
Por Rita Ferro | link

 

April de 2010, por Salvador da Cunha

 

Com as novas regras que impõem a divulgação individual dos salários dos gestores de empresas cotadas, assistimos a um país curvado à inveja. Os salários e prémios dos gestores das maiores empresas portuguesas já estão a circular pelo mundo da informação e as perguntas começam a surgir nos blogues e redes sociais: “como é possível que a Ana Maria Fernandes e o Rui Pedro Soares ganhem mais do que o Ricardo Salgado?”. A malta da esquerda radical começa a fazer as comparações com o salário mínimo, como se o talento e o risco não devessem ser premiados. Com isto abriu-se a caixa de Pandora. O mérito irá ser relegado para segundo plano.

 

Sou totalmente favorável à transparência salarial dos órgãos sociais como um todo. Antes desta nova norma, altura fazia-se a média dos salários dos órgãos sociais e sabendo-se da natural ponderação para o CEO, tinha-se apenas uma ideia do que cada administrador ganhava. Sem números exactos, as especulações e as inevitáveis comparações com o salário mínimo, não podiam existir.

 

Dizia-me há tempos um dos gestores mais excepcionais que este país teve: «Quando os trabalhadores passarem a saber que há administradores a ganhar mais do que outros, irão classificá-los. Passará a haver administradores de primeira, de segunda e de terceira. Os últimos deixarão de ser respeitados.»

 

Para equilibrar esta situação, a tendência será harmonizar os salários e nivelar por baixo. Os melhores, ou passam a ganhar menos, ou terão de sair. Das empresas e do país.

 

Se Portugal quer sair da “cepa torta” em que se encontra, tem de ter gestores de excepção que saibam colocar as empresas nacionais no competitivo mapa internacional. E ser remunerados por isso. Porque se não são remunerados, deixam de estar disponíveis para as empresas portuguesas e para Portugal.

 

E qual será o resultado? Bancos que lucravam 700 milhões passam a lucrar 200? Empresas que lucram 100 milhões passam a lucrar 30? e por ai em diante? Os gestores podem passar a ganhar menos, mas assim todos ficamos mais pobres.

não concordo nada com esse ponto de vista, Rita.

se eles já possuem vencimentos ao nível dos melhores gestores do mundo, como é que ficamos todos a perder e mais pobres?

o mais grave é que a maior parte deles só conseguem ser gestores em Portugal, e em empresas monopolistas, em que constroem os lucros com os aumentos anuais que nos fazem, mesmo que discretamente,como são os casos da EDP, REN ou PT.

eu por exemplo, no final de 2009, com os consumos de sempre de electricidade, no acerto final, tive de pagar mais 45 € (em 2008, não paguei nada nem recebi...).

luis eme a 12 de Abril de 2010 às 10:25
Os salários de alguns gestores são, mais do que imorais, pornográficos. O que justifica que alguém ganhe centenas ou milhares de vezes mais do que um desgraçado que despende uma força brutal para levar pouco mais de quatrocentos euros por mês para casa?
Acho muito bem que se publique; para se ter uma ideia do roubo. Quem não se sentir bem, que vá embora, que o Mundo estará bem melhor sem essa gente - por muito competente que ela própria se ache.
Carlos de Sá a 12 de Abril de 2010 às 10:32
O problema nem são os salários. É a imensidão de gestores medíocres que se habituou a criar riqueza à custa de redução de custos. É a imensidão de gestores que acredita ser rentável colocar 2 a fazer o trabalho de 3 ou 4. É a imensidão de gestores que vê na restruturação contínua o maná da gestão. É a imensidão de directores e vogais que não sendo responsáveis por nada, não decidindo nem sequer conhecendo, aumenta o número de uma administração licenciada em reunir em vez de inovar. O problema nem são os salários. O problema é a incapacidade. O problema é um grupo alargado que se habituou a acreditar que sabe gerir.
Von a 12 de Abril de 2010 às 11:42
Eu tenho algumas questões relativamente a esta polémica. Acima de tudo o que é escandaloso é alguém, seja quem for, (desde o pedreiro até ao administrador) receber o salário quando não faz nada. Finge que faz. Isso deixa-me completamente irritada. Depois andam três ou quatro a compensar a inactividade dessa malta. Não se iludam: em todos os sectores e do porteiro ao CEO há quem não faça nada. Nada!
Sinceramente, não condeno que algumas pessoas - naturalmente depois de comprovada a sua competência no desenvolvimento das suas funções - sejam remuneradas acima da média. Até porque, de outra forma, como distinguir quem se esforça e adbica de algumas coisas (por exemplo vida familiar)? Mas aceito que é um assunto bastante polémico. O que eu gostava de saber - e ninugém me diz - é por que raio os nosso políticos fazem asneiras, enquanto políticos (quando estão em cargos de secretários de estado, ministros e afins) e o prémio é irem para gestor disto e daquilo ganharem quantias obscenas. Qual a mensagem que passa? Podes fazer as asneiras que quiseres, pois serás sempre recompensado!
Isso, sinceramente, irrita-me muito mais. Pelo que vejo-me na obrigação de mesmo sem concordar a 100%, defender o post (e o texto do Salvador da Cunha).
K a 12 de Abril de 2010 às 14:53
Que post mais lamentável, que opinião mais indecente ! Então quer dizer que o problema do nosso pais é o facto de os coitados dos péssimos gerentes poderem vir a ter em risco os seus indecorosos e milionários salários. A "ralé" cada vez mais pobre, os "topos" cada vez com melhores carros e casas. Olha ó Salvador, queres que te ajude a trocar de carro ?
Que triste cena a 12 de Abril de 2010 às 15:58
Entendo onde se quer chegar com o texto, mas trata-se de uma abordagem peregrina e demagoga. O que está em causa, em primeiro lugar, é exactamente a remuneração Vs competência, mérito e reputação de alguns gestores. Mas também é questionável (e eu não sou de esquerda) a diferença, em alguns casos absurda, entre alguns salários praticados e o salário médio nacional (já nem falo do mínimo, apesar de não haver grandes diferenças). Em países como a Noruega, por exemplo, está fixado um limite entre um salário máximo e a média nacional. Não me recordo se é 70 vezes. E não 200 vezes como acontece com um dos ex-administradores da PT (sem currículo que justificasse). Devo acrescentar que essa regra na Noruega não se aplica, claro, a dividendos de empresários que arriscam o seu dinheiro (o que é justo).
mike a 12 de Abril de 2010 às 20:32
São as regras do capitalismo, Amigos. É socialismo e não capitalismo? Ah-ah! Podes dizê-lo, mas não podes prová-lo. O capitalismo é mau e faz dói-dói? Ah, pois é... Mas não podemos beneficiar dele sem pagar um preço. E quem, de alguma forma, não se aproveita um pouco dele que atire a primeira pedra. E qual o sistema ou ideologia totalmente isento de crueldade? É verdade, há-os! Mas não destes, elegidos como Esquerda e comportando-se como megalómanos. Concordo com o Salvador neste ponto: o voyeurismo salarial é sinistro como príncípio, como sinistra é a ideia de se querer mais acabar com os ricos do que com os pobres. E concordo com o Carlos quando diz que certos salários são pornográficos, e tratando-se de gestores públicos, são-no mais ainda. Mas também os são em termos absolutos, ou não são? E a ninguém parece incomodar a verdadeira pornografia das contratações no futebol. Depois, fica a questão das competências. Mas o problema não é o CV do Rui Pedro Soares nem as horas que trabalha por dia, a questão a meditar é: porque serão tão bem pagos? A minha meditação fica-se por aí e por aqui.
Porque serão tão bem pagos? Um dia destes eu digo-te. Mas não aqui. Ia responder ao teu comentário mas decidi que a minha meditação fica-se por aí e por aqui. ;-)
mike a 13 de Abril de 2010 às 12:32
Boa, Mike, deste-me agora uma lição e eu respeito quem sabe dar-mas com classe, como fazes sempre! Mas ambos sabemos por que razão são tão bem pagos, não sabemos? Questões de «job definition» que não podem constar dos requisitos, certo? (Sabes, quando recebi o teu mail, achava que te estavas a referir aos beijos lá em cima, LOL!!)
Rita Ferro a 13 de Abril de 2010 às 12:36
Acto Falhado
É um sintoma, tal como o sonho: um conflito entre a intenção consciente do indivíduo e o seu inconsciente recalcado, substituindo-se a manifestação por outra que não controlamos. Dizem os técnicos. Nós, leigos, divertimo-nos a topá-los.
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