
É hoje a grande estreia, às 10 no São Jorge! A Marta leva 16 amigos, comigo vão 20. Pergunto: «Queres que peça à Caras para lá estar?» Insulto para os dois lados: «O quê? Para fotografar as suas amigas? Fora de questão!» «E o Expresso?» «O Expresso, sim.» Um pedante intelectualóide, é o que é! Mas tem graça e corrompe-me: «As gargalhadas do pai e da mãe são sempre as mais histéricas. Por favor escolha uma fila de trás. E seja discreta, está bem? Por uma vez, mãe, vá lá!» Parvalhão. De castigo levo burka. Hás-de chegar ao palco e não me encontrares. Olhar segunda vez e estranhares de novo. Sempre queria ver! Dizias as piadas a chorar, como quem te deu à luz.

Manifestação amanhã às 15 horas, frente à Assembleia.
Adormeço sombria, acordo negra com a notícia do suicídio de alguém próximo. Minha idade, casado e com filhos, tiro na cabeça. Não é pobre nem desempregado nem só. É um afortunado infeliz como tantos de nós. Um rico desfavorecido - subtileza que os marxismos não atingem. Mas a morte, por vezes, rejeita quem a escolhe - a gaja é tramada. Está em coma e sem vontade de acordar, tenho a certeza, mas uma equipa médica já arregaçou as mangas para lhe mudar o destino. De quem é o fogo dos deuses? Quem vencerá?


Todo o exterior é também exterior a ti, já reparaste? Só sozinho em casa consegues ser tu. Nunca ninguém te espiou sozinho, logo nunca ninguém te conheceu. E se te espreitassem o abandono dos gestos, a expressão sem retoque, a batota que fazes, o corpo no banho? Mais: se alguém te entrasse no cérebro e no coração e os seguisse por dentro sem soltar um som? Os sentimentos? As cobardias? O cálculo mesquinho ou a coragem enorme que ninguém medirá? Perder-se-iam, claro: só tu tens a chave e até tu a perdes. Afiro, portanto: conhecer-te nem tu, descansar nem nu e esse alguém que te espia afinal és tu.

Recebi esta petição nacional endereçada a Jaime Gama, Presidente da Assembleia da República, assinada por uma legião de apelidos sonantes. Entre os motivos do Manifesto, este: «É para nós claro que o primeiro-ministro não pode continuar a recusar-se a explicar a sua concreta intervenção em cada um dos sucessivos casos que o envolvem.» Leia, reflicta e só assine se quiser. Mas ou muito me engano ou isto vai começar a aquecer...
Embaraça-me, mas é verdade: a literatura já aderiu ao Guiness. Mentira: o Atlas Klencke é apenas um dos ícones da exposição Magnificent Maps.
As bibliomóveis têm prestado um serviço inestimável na promoção do livro e da leitura em todo o Mundo, e também nos países de expressão portuguesa. Mas comigo não pegava: a promoção do serviço em si, com desfile alegórico, é, a meu ver, demasiado ruidosa. Em Chicago então nem se fala. (Baixem o som que isto perturba a minha costela britânica...)
Foi uma das dez personalidades escolhidas pela nova ministra para o Conselho Nacional de Cultura. Para além dela, Eduardo Lourenço, Siza Vieira, Ruy Vieira Nery, Jorge Salavisa, Ricardo Pais, João Lopes (crítico de cinema), António Pinto Ribeiro (escritor e programador cultural), Paula Moura Pinheiro e Augusto Mateus (economista). Para quem (ainda) não saiba, Inês Pedrosa é a actual Directora da Casa Fernando Pessoa e tem sido leonina a pugnar por um orçamento decente para a gestão do espólio do nosso único génio. Os resultados vêem-se! Um trabalho notável no tratamento de inéditos, na divulgação internacional do Poeta, na promoção de palestras realmente estimulantes, e ainda no acolhimento tanto a estudantes como a estudiosos. Ofereceu-se imediatamente para uma sessão de leitura de poemas da Rosa, para que convidarei todos brevemente. E, surpresa: Caetano Veloso, quando esteve cá, ficou embeiçado por ela - não negues que eu vi! Além do mais, e di-lo cheia de espírito, foi a única a encher de mulheres a vida de Fernando Pessoa - a Casa tem agora uma maioria de funcionários femininos. Daqui, sincero e vibrátil, um abraço orgulhoso e pessoano! (Mas vê lá o que fazes Inês, posta agora em «desassossego»: aqui o pessoal das letras fica todo nas tuas mãos!)
Se eu morrer de manhã
abre a janela devagar
e olha com rigor o dia que não tenho.
Não me lamentes. Eu não me entristeço:
ter tido a noite é mais do que mereço
se nem conheço a noite de que venho.
Deixa entrar pela casa um pouco de ar
e um pedaço de céu
o único que sei.
Talvez um pássaro me estenda a asa
que não saber voar
foi sempre a minha lei.
Não busques o meu hálito no espelho.
Não chames o meu nome que não venho
e do mistério nada te direi.
Diz que não estou se alguém bater à porta.
Deixa que eu faça o meu papel de morta
pois não estar é da morte quanto sei.

Uma JÓIA RESPLANDECENTE que distribuo por todos os maravilhosos amigos que ganhei aqui, no ACTO FALHADO, oferecida por esta mulher poderosa! Lamentavelmente, tem um nome menos fácil e memorável do que a sua história ou o seu sorriso: Chimamanda Ngozi Adichie.

Ninguém é servido uma... ninguém é servido duas... ninguém é servido três? Paciência, como-os sozinha! (Se fossem tripas ou coiratos já vinham todos de pijama, não era? (Palavra de honra que não percebo: a fixação dos visitantes deste blog na Alta Idade Média!) Tudo outra vez a dormir nas suas caminhas, não é? Espojados! Refastelados! «Morte cruel ao burguês ateu! O povo o suprimirá a golpes de foice e martelo!»


«A tristeza" é um privilégio das almas grandes, e o caminho dessa tristeza é qualquer coisa que devemos a Deus.» Esta cristã, na melhor das intenções e desarmando-me com carinhos, atribui-me uma frase que nunca escrevi. Ironizando, podemos entristecer pelas coisas mais estúpidas: perder o comboio ou vez na manicura, ou mesmo falhar um crime. Reportando ao meu post de ontem à noite, «Como diz que disse», que devo fazer? Tratando-se de um blog privado, passo ou «mando uma boca» à oradora? Deixem, sei a resposta. Mas a homonímia vive a fazer-me destas: há oito ritas ferro no activo neste momento, a escrever ou no face book.

Um parque temático dedicado a Harry Potter, reproduzindo cenários, personagens e aventuras, abrirá ao público em Orlando esta Primavera. A aposta é boa: a legião de fãs produzida por 400 milhões de exemplares traduzidos em 67 línguas e vendidos em 200 países arrisca-se a concorrer, seriamente, com a Disney World. Sim, claro: é o Mundo a girar na sua órbita matemática. Mas preparem-se: será mais um sorvedouro de dinheiro a somar aos jogos, consolas, telemóveis HD e outras exigências infantis e juvenis cada vez mais exorbitantes. Bom. «Juvenis» digo eu, que não contabilizo aqui a quantidade de homens feitos e direitos que também se perdem e arruinam com este tipo de fantasias.










«Os blogues comuns, individuais ou colectivos, são espaços privados de expressão pessoal. O facto de serem também públicos, permitindo leitura e comentários, não anula o seu estatuto pessoal e, antes e acima de tudo, privado. Repetindo pela terceira vez: os blogues são privados e pessoais. Para possuir um blogue basta ter ligação à Internet, email e 5 minutos para gastar. Não é preciso pagar nem apresentar documentos. Pode ter-se tantos blogues quantos à loucura apetecer. É, tão-só, como estar à varanda a discursar para quem passa. Ninguém é obrigado a parar, muito menos a ficar. E qualquer um pode mandar bocas ao orador. Ou é como estar na tasca ou no grémio, falando com quem calhar.»
Quem escreveu assina «Valupi» e tem um blog chamado Aspirina B. Não conhecia, mas fiquei dividida: «O facto de os blogs serem públicos não anula o seu estatuto privado?» «Qualquer um pode mandar bocas ao orador?» Estou cansada, confesso, porque o dia foi longo. Mas detecto na tese alguma obscuridade. Quer dizer: por um lado repousa-me, por outro não me convence nem semântica nem juridicamente. Significa que posso escrever aqui o que me apetecer e dizer a quem reclamar «agradeço que não viole a minha privacidade»? Ou ler insultos e ordinarices respondendo «Muito bem, é um direito que lhe assiste.»? Olhem, não sei: a esta hora discorro com dificuldade. Já adormeci dois bebés, já «fiz» uma carga de roupa, já mudei o saco do lixo, já arrumei a louça da máquina, já revi um texto profissional, já passei facturas e achei percentagens para a redução na fonte, e, entre estender roupa a bater o dente e vigiar os meus netos dormindo, tão tranquilos, já pensei que morrer é uma libertação e viver uma bênção. Não tenho obrigação de estar lúcida. Até amanhã, vou dormir.
Cinema filipino a merecer a atenção da Europa? Não fazíamos ideia. O realizador, Brillante Mendoza, fez dois filmes em 2009 e começa a dar que falar. Até porque o arquipélago gosta é de filmes americanos e nunca imaginou que alguém se lembrasse de mostrar ao Mundo as suas misérias...
Lars Von Trier. Realizou o Dogville e o Ondas de Paixão - não confundir com «Lendas de Paixão», que é, na minha opinião, apenas um filme belo - e encheu-me as medidas por nunca antes ter testemunhado uma paixão tão cega e desmedida, e, sobretudo, por me entristecer - ou alegrar, talvez - de ser incapaz de experienciar uma entrega assim, em nome de um amor ou até de um deus - e bato na madeira. E agora este último, para almas que aguentam TUDO - como a minha - o que lhes permita visitar outras dimensões, mesmo que, para isso, tenham de apanhar sustos de morte, atravessar o Inferno ou até perdoar ao filme uma ou outra falha. O de baixo passo, este NÃO PERCO.

«Uma cultura colectiva, em dado momento da sua História, é constituída por preferências e repugnâncias, anteriores a toda a leitura.»
A citação* é de Jean-François Revel, sacada à «Colóquio Letras», no fim de uma carta de 10 páginas (impressas! Imaginem em manuscrito...) que Eduardo Lourenço escreve a meu Pai - de Nice, onde ainda vive - em Setembro de 1968, e a que este responde com outra de sete páginas não menos notável. Estão publicadas no penúltimo número da Revista, dedicada à figura de EL. Muito bem: o sujeito da interpelação é o critério dos prémios do SNI e a resposta é a que se espera do filho do homem que os criou, com uma elegância e lucidez que, lamentavelmente, já não me chegaram aos genes. Em suma: uma correspondência fundamental para quem queira compreender o excruciante silêncio que existia no tempo de Salazar, para todos os que, por alguma razão, não eram caros ao regime. A páginas tantas, EL interroga AQ sobre qual terá sido, afinal, o critério desses prémios, quando de um lado se propõe Agustina, Nemésio e Cinatti, deixando de fora nomes como Cesariny, Sttau, Almeida Faria ou Abelaira. Mais: brinca até - com um humor genial - interrogando-se sobre se a «Política de Espírito» de António Ferro não será, gritantemente, mais política do que espírito. Embaraçado com a escolha do destinatário, meu Pai responde.
Desculpem se me alongo, mas deliciaram-me as duas! Enquando EL lembra «que alguns de nós persistem em crer que somos um só país e que é tempo de começar a ver-se e tolerar-se nas suas diferenças e oposições», AQ lembra que a expressão «Política de Espírito» é de Paul Valéry, amigo de seu pai, e que EL teria grandes surpresas se se desse ao trabalho de consultar não só a lista de premiados daquele tempo (1935-1940), tanto na literatura como nas artes, ou até a lista dos colaboradores da Atlântico e da Panorama, onde nunca se fizeram excepções à Direita ou à Esquerda e constam, entre dezenas de outros, Aquilino, Ferreira de Castro e até Castro Soromenho. E acrescenta: «O silêncio que você certeiramente apontou, é o castigo ou a reacção da intelligentzia portuguesa a esta pretensão do Estado em apresentar como escolha nacional o que é escolha parcelar», lembrando ainda «que a mesma pretensão teve a sua exacta contrapartida no que se passa com os prémios da Sociedade de Escritores» - cujo regulamento foi escrito por AQ e Aquilino, entre outros - afiançando-lhe que chegou a acreditar, tal como ele, nesse bonito ideal de uma «República de Escritores», mas que, depois da presidência de Aquilino e Jaime Cortesão, o desvirtuamento dos prémios foi «real e insofismável», uma vez que «todos os júris eram organizados de modo a terem maioria neo-realista ou desta corrente simpatizantes.»
Sabem, Amigos? Eu desgosto da política porque aprendi com AQ que «nenhum sistema ou nenhuma ideologia pode hoje considerar-se a salvo de suspeita, pode ver-se como solução absoluta, universal e salvadora.» Mas deixem estar que, se voltar a cruzar-me com o Eduardo Lourenço num desses bosques literários, armadilhados, hei-de perguntar-lhe se não quer passear comigo no paredão - e com a Rocha, claro - para uma conversa descontraída e a que chamarei assim, em homenagem ao senhor da foto.
* cortada e censurada pelo Serviço de Censura, Comissão do Porto
Para nos irmos conhecendo uns aos outros, aqui no «Acto Falhado». Esta é a comentadora esporádica que se assina «Rocha», minha prima e vizinha, que faz o paredão do Estoril diariamente, nos dois sentidos. Todas as manhãs me desafia esperançosa e é despachada com um pretexto miserável: «Ainda tenho cristais nos olhos», «O teu fulgor deprime-me» ou, uma vez por outra, «Estou a trabalhar, porra!» Delicada como só ela, responde suavemente: «Deves! Estás é outra vez agarrada a essa merda do computador, a postar anormalidades e a alcatroar os pulmões com esse nojo do LM Light que fumas!» E sincera: «Ouve bem, Rita: se estás à espera que eu, no fim da vida, te leve a arrastadeira à cama ou, sequer, te despeje a algália, tira o cavalo da chuva!» Mas é prestável e faz-me relatos directos do que encontra pelo caminho: um dia é o Francisco José Viegas a vaguear com aquele seu ar caturra, outro é o Mira Amaral com o seu facies optimista, outro ainda o Marcelo a emergir de fato de banho brand new, o que nos deixa erotizadas - há vinte anos que lhe conhecemos o mesmo. Enfim, acaba de me mandar o seguinte SMS em directo do seu footing matinal: «Rita, hoje perdeste: acabo de ver na esplanada a Teté e a Margarida aos cochichos, sem seguranças e com uma delas fumando cigarrilha!» Traduzindo: a «Teté» é a princesa Teresa de Orleans e Bragança e a «Margarida» a irmã (cega) do rei Juan Carlos, a princesa Margarita de Bourbon, que vive há décadas num apartamento ao nosso lado. Ambas octogenárias.
(Eu bem lhe digo que é preferível correr em Monsanto, porque sempre se pode encontrar o Steve Guttenberg a correr - e aí sim: livremente - , o que é mais inspirador. Mas ela não me respeita.)

Minha filha Marta, aqui, em directo da RTP1 - aparece ao segundo 28. Depois não interessa. 33 anos, casada, dois filhos. Já teve 3,750 kg, tem agora pouco mais.

Em entrevista à RR: «O centro da corrupção grave em Portugal» está «no sector político». «Isso é o grande problema que nós temos pela frente», declarou o autor de um pacote anti-corrupção recusado pelo Governo. Ler aqui.

Manifestação de estudantes em Caracas, contra Hugo Chavez, é boicotada pela polícia. Notícia aqui. Amuado com Juan Carlos, agora é ele a dizer ao próprio País «porque no te callas?»


E se não... que as excepções se insurjam!

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Uma câmara de filmar, colocada na frente de um veículo-longo, mostra aos condutores de trás o que os espera, prevenindo-os de ultrapassagens perigosas. Reparem: a aproximação do carro encarnado é ampliada em grande escala na traseira do «monstro». Genial! Fonte: Engadget